quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A verdade #2

A verdade é que a Ordem dos Enfermeiros (OE) como sempre, pouco ou nada faz em prol da Enfermagem, mas consegue enviar as cotas para pagar com o acréscimo de 1 Euros, ou seja de 9 Euros (no ao 2013) passam este ano para 10 Euros mensais.

Resta-me agradecer pelas oportunidades infinitas de emprego que existem em Portugal relativamente à enfermagem, bem como agradecer o tempo demorado para reativação da inscrição na OE caso me passe pela cabeça suspender esta inscrição.

Concluindo, ainda bem que o meu destino profissional não será aqui, pois iria pagar mais algum tempo estas cotas e ao mesmo tempo estado desempregada, uma vez que nunca poderia suspender esta inscrição (sem esta não posso exercer), pois se o fizesse e se encontrasse algum trabalho o meu suposto empregador iria de certeza absoluta (ironia) esperar que a ordem reativasse a inscrição, ou seja quando estivesse novamente inscrita, estaria novamente desempregada.

Se não fossem os meus pais ia roubar para pagar cotas (roubar também pode ser uma profissão, mas não me parece que seria bem sucedida) hehe.

Ah o mais engraçado é que para atenuar esta "raiva" enviam uma agenda e uma caneta. Obrigada OE, não pela agenda e pela caneta touch, mas por me motivar ainda mais em emigrar para ser tratada com dignidade onde me dão oportunidade de fazer aquilo que realmente gosto - cuidar.


Lembrei-me que para o próximo ano, esteja eu ou não inscrita, poderiam enviar um tablet de oferta para que a caneta possa ser utilizada (sim, porque eu não tenho nenhum tablet, não trabalho, logo não tenho dinheirinho para o comprar).

Vou assinar esta petição em protesto

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT71950


Até breve...


"O último abraço que me dás"

Percorri durante 4 semanas corredores de uma Oncologia, onde realizei o estágio que mais me fez crescer em todos os aspetos.

Conheci pessoas estraordinárias, umas com muita força para lutar outras menos, profissionais de saúde competentíssimos dispostos a fazer o melhor para poder proporcionar nem que fosse um sorriso a estes doentes e família.


Foi sem dúvida um grande marco na minha vida, que me irá acompanhar para sempre.


"O último abraço que me dás" é sem duvida uma frase muito marcada num serviço como este.

Vale a pena ler este texto de António Lobo Antunes e refletir.

O último abraço que me dás
Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele
 "O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me
- Abrace-me porque é o último abraço que me dá

durante o abraço

- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento

e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.

Com o meu corpo contra o dele veio-me à cabeça, instantâneo, o fragmento de um poema do meu amigo Alexandre O'Neill, que diz que apenas entre os homens, e por eles, vale a pena viver. E descobri-me cheio de respeito e amor. Um rapaz, de cerca de vinte anos, que fazia quimioterapia ao pé de mim, numa determinação tranquila:

- Estou aqui para lutar

e, por estranho que pareça, havia alegria em cada gesto seu. Achei nele o medo também, mais do que o medo, o terror e, ao mesmo tempo que o terror, a coragem e a esperança.
A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no malestar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida. O cabelo cresce-me de novo, acho-me, fisicamente, como antes, estou a acabar o livro e o meu pensamento desvia-se constantemente para a voz de um homem no meu ouvido
- Acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento
porque não aceito a aceitação, porque não aceito a crueldade, porque não aceito que destruam companheiros. A rapariga com a peruca no braço da cadeira. O senhor que não olhava para ninguém, olhava para o vazio. Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele. Vi morrer gente quando era médico, vi morrer gente na guerra, e continuo sem compreender. Isso eu sei que não compreenderei. Que me espanta. Que me faz zangar. Abrace-me porque é o último abraço que me dá: é uma frase que se entenda, esta? Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? Morra um homem fique fama, declaravam os contrabandistas da raia. Se tivermos sorte alguém se lembrará de nós com saudade. De mim ficarão os livros. E depois? Tolstoi, no seu diário: sou o melhor; e depois? E depois nada porque a fama é nada.
O que é muito mais do que nada são estas criaturas feridas, a recordação profundamente lancinante de uma peruca de mulher num braço de cadeira. Se eu estivesse ali sozinho, sem ninguém a ver-me, acariciava uma daquelas madeixas horas sem fim. No termo das sessões de quimioterapia as pessoas vão-se embora. Ao desaparecerem na porta penso: o que farão agora? E apetece-me ir com eles, impedir que lhes façam mal:
- Abrace-me porque talvez não seja o último abraço que me dá.
Ao M. foi. E pode afigurar-se estranho mas ainda o trago na pele. Durante quanto tempo vou ficar com ele tatuado? O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria onde a dignidade dos escravos da doença os transforma em gigantes, onde só existem, nas palavras do Luís, Heróis.
Onde só existem Heróis. Não estou doente agora. Não sei se voltarei a estar. Se voltar a estar, embora não chegue aos calcanhares de herói algum, espero comportar-me como um homem. Oxalá o consiga. Como escreveu Torga o destino destina mas o resto é comigo. E é. Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos."

Fonte: 16:42 Quinta, 12 de Dezembro de 2013 in Visão

Ate breve...


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A verdade #1

A verdade é que hoje ao passar próximo do Liceu que frequentei e ao ver aqueles alunos com os livros, senti saudades de estudar.

Um dia quando finalmente começar a trabalhar e tiver a minha independência quero ser eu a pagar o meu mestrado e a minha especialidade.

Esse dia haverá de chegar, tenho a certeza.


Ate breve...


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

8 metros em direcção à costa... muita água

Visto que o meu namorado mora a poucos metros do mar, que passe o Marão e venha cá para o alto antes que o mar faça estragos e mo leve e claro as pessoas que sejam conscientes e não se coloquem feito parvos a ver aquela fúria assim tão perto.

É bonito, claro que é, mas é preciso respeito.

Eu amo o mar, e gosto dele a qualquer altura do ano, no entanto respeito-o ao máximo durante o ano todo.

Fonte: JN

Até breve...